Viajar de moto para a Bolívia
Viajar de Moro para a Bolívia - experiencia completa do Paulo

Viajar de moto para a Bolívia

Viajar de moto para a Bolívia têm seus riscos e particularidades, mas é mais tranquilo do que é falado

Os desafios de viajar de moto para a Bolívia explicados pelo Paulo Jacques, amigo que fiz no deserto do Atacama, no Chile, bem no período inicial crítico do COVID-19 na América do Sul

Nesta publicação você vai ver estes assuntos abaixo de forma aleatória por ser um relato:

  • Documentação necessária
  • Entrada pela aduana
  • Como são as estradas
  • Dicas para abastecer – combustível
  • Impressões sobre o país
  • Comida regional
  • Polícia e polícia rodoviária
  • A saída do país com a crise sanitária 

Como eu já escrevi aqui, estava em uma viagem de moto pela América do Sul que interrompi por conta do COVID-19, também falei sobre minha volta que você pode ler aqui. 

Bem no momento inicial do aperto da crise estava no deserto do Atacama, foi quando as fronteiras começaram a fechar, perdi o tempo de voltar para o Brasil pela Argentina. Agora só tinha a opção de voltar por terra pela Bolívia, mas teria que fazer isso no último dia dessa possibilidade. 

Não me arrisquei – viajar de moto para a Bolívia

Eu considerava passar pela Bolívia, já tinha lido um pouco como fazer para entrar no país, mas para fazer isso do dia para o outro não me senti confortável por conta do que eu tinha visto: se não não tivesse toda a documentação certinha, poderia ter o veículo apreendido e leiloado no país, inclusive essa informação está no site do Itamaraty

Tinha conhecido o Paulo uns três dias antes, passeamos um pouco pelo Deserto do Atacama nestes dias antes das notícias de fechamento das fronteiras se intensificarem. Ele também estava de moto, inclusive a mesma que a minha. 

Quem é o Paulo?

Paulo Jacques é do Mato Grosso, era sua primeira viagem de moto e já passou por tudo isso. Estava em umas férias prolongadas por horas que tinha disponível no trabalho, mas acabou não conseguindo aproveitar como planejado.

Ele estava decidido em voltar para o Brasil pela Bolívia, hora a gente ouvia que a fronteira já estava fechada, hora que ainda era possível passar.

Então Paulo comprou um galão de 5 litros para gasolina, preencheu o formulário da Declaração Jurada online, arrumou as coisas e foi. 

O que é a Declaração Jurada para Viajar de moto para a Bolívia ou outros veículos

>> Se tiver indo com outro veículo que não moto, vale ler essa publicação do Em Algum Lugar do Mundo

A Declaração Jurada (Declaración Jurada) é o registro do veículo no SIVETUR (Sistema de Controle de Entrada e Saída de Veículos de Turismo na Bolívia), só pelo tamanho do nome dá para saber que é bem importante.

O Paulo preencheu esse documento pelo site – clique aqui (hoje está apenas com um aviso que não pode entrar na Bolívia por conta do COVID-19). 

Outros documentos necessários para entrar na Bolívia de Moto

Além da Declaração Jurada é preciso ter em mãos:

  • Carteira de Motorista válida – cheque a sua antes de sair do Brasil – em alguns lugares falam sobre Permissão Internacional para Dirigir, o Paulo não precisou e no site do consulado da Bolívia também não exige
  • Passaporte válido – passaporte também tem validade, pode ser 5 ou 10 anos, confira o seu
  • Documento do veículo também em dia

Atenção – para carros ou outros transporte você também precisa de alguns itens obrigatórios – reforço que dê uma olhada neste blog.

Por que ter atenção com a da documentação para viajar para a Bolívia

O próprio site do Itamaraty reforça sobre a legislação da Bolívia, caso esteja sem a Declaração Jurada, o governo da Bolívia apreende seu veículo e leiloa quase que instantaneamente, então não entre em hipótese alguma sem esse documento, no caso da Aduana estar fechada ou não ter o responsável por esse documento, aguarde ou se dirija a outra aduana pelo país que estiver. 

Há relatos de pessoas que receberam a sugestão na própria aduana de se dirigir até alguma cidade um pouco maior para legalizar a entrada e foram pegos pela polícia no caminho, não puderam fazer nada, nem o governo brasileiro – então isso é o mais importante, esteja com a Declaração Jurada ao entrar na Bolívia

Como foi a viagem do Paulo

Ele estava saindo do norte do Chile, de San Pedro do Atacama, para Viajar de moto para a Bolívia, então optou por sair do Chile por Ollague passando pela Administración de Aduana Frontera Alvorada. 

O Chile já tinha fechado as fronteiras para estrangeiros no dia anterior, a Bolívia fechou oficialmente no dia da viagem do Paulo.

Então quando ele saiu do Chile, uns 15 km antes da aduana da Bolívia, os agentes chilenos falaram que ele não poderia mais voltar caso não conseguisse entrar na Bolívia, ele foi mesmo assim. O cara é corajoso. 

Liberação de entrada na Bolívia

E a entrada não foi fácil, ficou três horas entre explicar a situação e esperar a liberação.

Depois deste tempo liberaram o visto de 90 dias imprimindo a Declaração Jurada, checando a documentação e carimbando o visto.

Deram este tempo todo de permanência pois além de ser padrão, caso acontecesse algo ou ele não conseguisse sair do país (corria este risco), pelo menos poderia estar lá legalmente. 

A altitude no sul da Bolívia

O Paulo já estava um pouco mais acostumado com a altitude pois chegou no Chile por um trecho bem alto da Argentina.

No inicio da viagem pela Bolívia chegou a pegar 4.000 metros do nível do mar, além de acostumado, as folhas de coca que comprou antes de sair do Chile também ajudaram

Essa altitude não é brincadeira no começo não, no meu primeiro dia em uma altitude dessa fiquei com uma dor de cabeça forte, tontura e enjoo, ele também não passou tão bem quando chegou no Chile pelo norte da Argentina.

As estradas bolivianas

Os primeiros 200 km foram em estrada de chão com muita subida, descida e curvas, foi pela Ruta 701, então, além do tempo de espera na aduana, esse trecho ruim fez com que ele não rodasse muito no primeiro dia, acabou acampando em uma construção abandonada que achou para se proteger do frio forte que fazia, até porque nos primeiros vilarejos por onde passou os hotéis não estavam recebendo hóspedes por conta do início da quarentena. 

Acampando em obra abandonada - Viajar de moto para a Bolívia
Acampando em obra abandonada

Apenas no segundo dia conseguiu um hotel em Potosi, já na Ruta Nacional 5, pagou mais ou menos R$ 70,00 com café da manhã e tudo – um preço bom. 

Ele gastou 3 dias para rodar 700 km por conta das curvas, subidas e descidas das estradas até Santa Cruz, a velocidade máxima que conseguia fazer neste trecho era de 50 km/h.

A paisagem parecia com o norte do Chile e da Argentina, só mudou para um estilo Serra Gaúcha já perto dessa cidade maior, quando começou a Ruta Nacional 7, com a rota quase sempre seguindo o caminho Rio Piray.

Qualidade das estradas na Bolívia 

Tirando os 200 km de chão (estrada de terra) o restante era asfaltado e estava muito bem conservada.

Viajar de Moto para Bolívia - estradas com muitas curvas
Viajar de Moto para Bolívia – estradas com muitas curvas

Inclusive só viu carretas pequenas até Santa Cruz, o que ajuda bastante na conservação do asfalto. Ele ficou impressionado com a qualidade dessas vias.

As estradas – viajar de moto pela Bolívia

Paulo passou pela Ruta Nacional 5, Ruta Nacional 7 e Ruta Nacional 4 as três muito boas, a única ruim foi a Ruta 701 – o engraçado é que ela é bem turísticas com muitos passeios oferecidos no Chile passando por ela para conhecer o Salar de Uyuni.

Pedágio para motos – viajar de moto para a Bolívia

Ele passou por muitos pedágios, que são bem menos estruturados do que no Brasil, alguns eram até difíceis perceber que eram pedágios de tão simples.

Moto não pagava, passava pela lateral da cancela.   

Impressões da Bolívia – do Sul ao Leste

Até chegar próximo à Santa Cruz passou por muitos vilarejos que eram bem organizados.

Lhamas na Bolívia
Lhamas na Bolívia

Percebeu que nessas cidades menores as pessoas viviam bastante de suas próprias produções, com hortas e criação de animal no quintal das pequenas casas mesmo.

A estrutura dessas cidades também contava com escolas e postos de saúde novos e bem preservados.

O que ele achou estranho foi ter poucas pessoas na rua, não sabia se pelo COVID 19 ou por hábito mesmo – falou que vai voltar para a Bolívia, ai saberemos a verdade.  

Viajar de moto para a Bolívia – rincha com os chilenos

Viu muita plantação de chia, criação de lhama e mineradoras de sal e lítio. 

Uma curiosidade que me contou foi sobre a rincha que sentiu entre Bolivianos e Chilenos, muito disso por conta da disputa de mais de um seculo onde a Bolívia pede uma saída para o mar – leia mais.

Cidade Potosi, Bolívia
Cidade Potosi, Bolívia

Passou pela cidade Potosi, que é maior do que as outras e não tinha a cultura da agropecuária individual tão presente.

É uma das cidades mais antigas do país, tem mais de 100 anos, conhecida pela exploração de minérios cresceu em volta dos rejeitos dessas extrações.

A cidade estava mais movimentada do que as outras, principalmente no centro, mas o curioso era que tudo fechava por volta das 15h, ele também não sabe se pelo COVID 19 ou se é cultural. 

Próximo a Santa Cruz passou por uma região que lembra a Serra Gaúcha, era mais estruturado para o turismo, com muitos hotéis e áreas para acampar.

Viajar de Moto para a Bolívia - acampando no mirador
Viajar de Moto para a Bolívia – acampando no mirador

Viu também muita placa de cachoeiras e indicações de mirantes (os famosos miradores), todos com boa estrutura. Chegou a acampar em um desses mirantes em uma das noites dessa travessia. 

Santa Cruz é uma cidade maior e com estilo de cidade grande como em outros lugares.

Depois que passou desta cidade que é o centro comercial da Bolívia, a paisagem se tornou planícies, então as estradas eram retas com muitas fazenda ao redor, conseguiu rodar 700 km em apenas um dia passando pela Ruta Nacional 4

O que comer na Bolívia

Paulo achou muito barato comer por lá, pagava em torno de R$ 12,00 em prato a la carte (nosso famoso PF), eles não têm a cultura do self service. 

Os pratos eram bem servidos, com bifes enormes que cobriam o prato inteiro.

Muito do que comeu era parecido com o Brasil: arroz, carne, feijão.

Mas comeu algumas coisas da culinária regional como um ovo cozido envolto em um tipo de purê de batatas empanado e frito, servido com salada. 

Falou também das sopas e do milho enorme e branco, que os grãos eram maiores do que a ponta do dedo indicador e estavam presentes nas sopas ou eram servidos depois de cozidos e fritos. 

Pelo tempo que ficou experimentou bastante coisa.

O que ele também achou curioso e não sabe se era pelo momento atual, mas muita gente ia nos restaurante para pedir comida e levar para casa, não comiam por lá.

Combustível – gasolina na Bolívia

Uns dias antes da viagem, quando ainda estávamos no Chile, ele tinha me contado que ia comprar o galão de combustível para conseguir gasolina mais barata, isso não deu certo. Ele acabou levando o galão de 5 litros e só usou uma vez quando rodou até mais tarde. 

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Essa tática seria para driblar o preço de combustível para estrangeiro que é três vezes mais caro do que para cidadãos bolivianos. Os estrangeiros pagam 8.7 bolivianos. Ele havia lido que com o galão poderia comprar com preço local de 3.5 bolivianos.

Como isso não deu certo ele descobriu que em quase todos os vilarejos tinha gente que vendia combustível a um preço intermediário, 5 bolivianos, era só chegar na cidade, quando não tinha placa, era só perguntar e logo descobria onde conseguir gasolina.

O dinheiro por lá

Sentiu muita dificuldade em passar cartão, então teve que trocar o dinheiro que tinha para poder abastecer, comer e até se hospedar.

Essa é uma boa dica para quem está indo para o país, levar dinheiro impresso. 

A Polícia na Bolívia

Em toda cidade que passou estava tendo barreira sanitária, algumas tinha policiamento que sempre pedia o documento da moto e a carta de motorista, mas para ele em nenhum momento pediram a Declaração Jurada, isso pode ser por conta da situação em relação ao COVID 19, que deixou o policiamento focado neste assunto e possivelmente para facilitar a saída dos estrangeiros do país.  

Mesmo com tudo isso ele conheceu outros dois brasileiros que também estavam na mesma situação de moto, atravessando a Bolívia vindos do Chile, mas que chegaram a ser parados em uma noite e foram extorquidos pelos policiais que ameaçaram os prender falando que estavam em velocidade superior à permitida e que faltava alguma coisa nas motos.

Segundo eles não era verdade, mas depois de quase uma hora cada um deu 100 bolivianos e foram liberados – esse tipo de situação eu também li bastante em minhas pesquisas para passar pelo país, inclusive no Paraguai é muito comum e dizem que na Argentina também, mas neste ultimo país eu não tive problemas, fui parado apenas uma vez e só checaram minha carta de motorista. 

Viajar de moto para a Bolívia – saindo da Bolívia

Paulo viu notícia na TV que era o último dia para ele sair do país antes do fechamento total das fronteiras então ele correu para chegar na fronteira em San Matias para pegar a aduana aberta antes das 00h que era o horário de fechamento.

Porém no meio do caminho mudou o trajeto para Puerto Quijarro que era mais próxima do seu destino no Brasil, este foi único dia que viajou a noite e que precisou usar a gasolina extra que levou, mesmo assim, chegou às 0h15 e não o deixaram sair.

Se hospedou em um hotel para tentar sair no dia seguinte.

Fronteira Puerto Quijarro - Bolívia
Fronteira Puerto Quijarro – Bolívia

No dia seguinte foi a imigracion boliviana em Puerto Quijarro e foi impedido de sair do país.

Foi preciso entrar em contato com Itamaraty através de número disponível no site e então explicou a situação.

Meia hora depois o Itamaraty juntamento com consulado brasileiro na Bolívia conseguiu intermediar sua saída da Bolívia.

Ainda assim esperou quase três horas até que um funcionário da Aduana chegasse para atendimento e dar baixa na Declaração Jurada a mesma usada para entrar no país.

Saiu da Bolívia acessando o Brasil por Corumbá MS, faltava ainda 700 km até sua casa no Mato Grosso.

Em resumo – viajar de moto pela Bolívia

Paulo rodou um pouco mais de 1.900 km em quatro dia, a previsão inicial era de apenas dois dias, mas com as dificuldades iniciais das estradas não conseguiu atravessa a Bolívia tão rápido.

Sua esposa que achou ruim porque ele não tinha sinal nenhum no celular e chegava a ficar dois dias incomunicável. 

Entrou pela fronteira de Ollagüe passando por Yuni, Potosi, Sucre (capital da Bolívia),  Saipina, Santa Cruz de la Sierra, San José de Chiquitos e mudou a rota pra sair do país por Puerto Quijarro em vez de San Matias.

Conseguiu fazer a documentação e estar legalizado de forma bem rápida e relativamente tranquila atravessando o país com calma e vivendo um o pouco do que conseguiu dessa rica cultura.

Ele promete voltar em uma viagem de moto apenas para a Bolívia.

Já viajou de moto pela Bolívia? Conte como foi sua experiência. 

Rodrigo Schmiegelow em Bariloche
Bariloche, Argentina

Sou Rodrigo Schmiegelow (Schmi), publicitário nascido em 86. Gosto de viajar e conhecer novos lugares e culturas desde os 11 anos. Passei pelo Canadá, África do Sul e Namíbia e agora estou em uma viagem de moto sozinho pela América (acompanhe no Instagram) para conhecer lugares, pessoas e gastronomia regional simples para o meu projeto O Mundo em Lanches onde vou transformar essas experiências em lanches deliciosos. 

Schmiegelow

Sou Rodrigo Schmiegelow, publicitário nascido em 86. Gosto de viajar e conhecer novos lugares e culturas desde os 11 anos. Passei pelo Canadá, África do Sul e Namíbia e agora estou em uma viagem de moto sozinho pela América - do Ushuaia ao Alaska - para conhecer lugares, pessoas e gastronomia regional simples para o meu projeto O Mundo em Lanches, onde vou transformar essas experiências em lanches deliciosos. E é só o começo, o plano é conhecer o mundo e trazer tudo para você! Acompanhe!

Este post tem um comentário

  1. PATRICIA GALVAO FRAGA

    Que desafio! Mesmo assim deve ter valido muito a pena.

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